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quarta-feira, 29 de abril de 2020

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Ma Yu

Nascido em 1123 D.C numa família bastante abastada em Haining (provincia de Shandong), cedo desenvolveu os seus talentos nas áreas da Acupunctura e poesia. É ainda hoje muito conhecido pelo seu poema relativo a 11 importantes pontos de acupunctura.
Pouco depois de ter casado com Sun Bu'er (também ela viria a tornar-se imortal), ambos decidiram seguir o mestre Daoista Wang Chonyang (1113-1170).
Ma Yu e sua mulher, construiram um retiro Daoista para o seu mestre, abdicaram dos seus bens familiares extensos e tornaram-se monges Daoistas. Desta forma passaram a ter uma vida simples e pacifica.
Mais tarde Ma Yu e Bu'er separaram-se para poder continuar o seu percurso individual e praticar a via do Celibato.
Antes de partir, Wang Chongyang conferiu a Ma yu, o método secreto Quanzhen. Após longo período de prática Ma yu atingiu a imortalidade passando a ser conhecido como Ma Danyang (Cinábrio Yang ou Elixir Yang) um dos Perfeitos do Norte que abraçaram a Unidade.
Man Danyang e sua mulher passaram a ser considerados como 2 dos 7 imortais, os 7 perfeitos.

Ma Danyang escreveu um poema relativo aos 11 pontos milagrosos, publicados no Manual do Dragão de Jade (1329). Um século mais tarde Xu Feng (conhecido por ter introduzido o conceito dos 8 meridianos curiosos) acrescentaria mais um ponto à lista de 11 referidos por Ma Danyang.

Cada um dos 7 imortais desenvolveu uma linha própria da corrente QuanZhen. Ma Danyang chamou-a de Yuxuan (encontro dos imortais). Os discípulos de Ma Danyang seguiam uma vida extrema e difícil. Eram vegetarianos, minimizavam a quantidade de alimento ingerido seguindo-se longos períodos de jejum. Eles reduziam as horas e sono e passavam longas horas em meditação. Praticavam também uma veida em celibato.
A diminuição da ingestão de alimentos líquidos e sólidos era uma forma de diminuir também a eliminação pelas fezes, urina e transpiração. Pois acredita-se, no Daoismo, que o Qi acaba sempre por sair nestes processos. A via do celibato tem também o mesmo propósito, prevenir a perda de Qi, assim como manter o Coração calmo. Mais do que controlar a menstruação e anular a ejaculação, o Qi dissipa-se no momento em que o Coração perde o seu equilibrio, o Shen sai do Coração e não pode mais conter a energia.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Qiu Chuji e Longmen Pai

Qiu Chuji

Qiu Chuji (丘處機) (1148 – 1227 D.C.)

Mestre Qiu Chuji (1148 — 23 de Julho de 1227 D.C.) foi um mestre taoísta chinês da linhagem Quanzhen (全真道), fundador da linhagem taoísta da Porta do Dragão (龍門派) (Longmen pai). Seu nome taoísta é Qiu Chang Chun (丘長春), que significa "Eterna Primavera" (長春). Foi o mais famoso dos sete discípulos do taoísta Wang Chongyang, conhecidos na China como "Os Sete Imortais".


Seu início no caminho taoísta


Qiu Chuji tornou-se taoísta aos dezanove anos. Aos vinte foi aceito como discípulo pelo Mestre Wang Chongyang, recebendo o nome taoísta Chang Chun (Eterna Primavera).
Após o luto pela passagem de Wang Chongyang, ocorrida em 1170, seus sete discípulos se dispersaram pela China. Qiu Chuji manteve uma vida ascética, vivendo em cavernas e pedindo por comida durante treze anos em Panxi e Longmen.

Viveu por diversos anos nas "Cavernas da Porta do Dragão" (龍門石窟) (pinyin: Lóngmén Shíkū) referência que veio a nomear sua linhagem (Longmen significa em chinês "porta do dragão"). Neste local desenvolveu seus ensinamentos sobre a complementariedade do Budismo, Confucionismo e Daoísmo.




Em 1188, já famoso por sua sabedoria, foi convocado ao palácio imperial pelo Imperador Shizong (金世宗) , da dinastia Jin. Apesar dos convites para permanecer na corte como conselheiro insistiu em retornar


O Convite de Genghis Khan

Em 1219 Genghis Khan, fundador do Império Mongol e o maior dos conquistadores da Ásia, convidou Chang Chun a visita-lo. Sua carta convite, datada de 15 de Maio de 1219, foi preservada como uma curiosidade histórica. Interessado nos conhecimentos de Chang Chun sobre como assegurar a longevidade, o formidável guerreiro Mongol aparece como um humilde discípulo da sabedoria, modesto e simples, quase socrático em seu auto-exame, atento às verdades profundas do viver e do governar.
O início da Viagem

Chang Chun obedeceu a sua convocação e partiu de seu lar em Shantung em Fevereiro de 1220, viajando para Pequim acompanhado por dezoito discípulos, dando início a uma jornada da qual levaria vários anos para retornar.

Descobrindo que Genghis Khan tinha se dirigido para o oeste em busca de novas conquistas, o sábio passou o inverno na capital.


Seguindo a jornada

Em Fevereiro de 1221 Chang Chun reiniciou sua viagem atravessando a Mongólia oriental até o acampamento do irmão de Genghis Khan, Ujughen, próximo ao Lago Byr, ou Buyur, na bacia superior do Kerulun-Amur.

Daí viajou para sudoeste subindo o Kerulun, cruzando a região de Karakorum, chegando aos Montes Altai, provavelmente passando perto do actual Uliassutai.

Após atravessar as Altai ele visitou Bishbalig, a atual Urumqi, e seguiu ao longo da face norte do monte Tian Shan até o Lago Sairam, Almalig (ou Kuija), até o vale de Ili.

Seguindo até Chu atravessa o rio para Talas, chegando à região de Tashkent e prosseguindo pelo rio Jaxartes (ou Syr Daria) para Samarcanda, onde permaneceu por alguns meses.
O encontro com Gengis Khan



Finalmente, atravessa as Portas de Ferro de Termite, acima do rio Oxos (ou Amu Daria), e seguindo por Balkh e pelo norte do Afeganistão Chang Chun chega ao acampamento de Genghis Khan próximo de Hindu Kush.

Após dois anos de viagem, Qiu Chuji encontra-se com Genghis Khan, que lhe pede conselhos sobre longevidade e sobre como governar bem. O aconselha a evitar matanças e a esvaziar a mente desapegando-se do excesso de desejos. Este encontro teria encorajado o Khan a agir de maneira mais suave em benefício a seus súbditos.

A pedido de Genghis Khan, Yelu Chucai compilou as conversas entre os dois no "Registo do Auspicioso Encontro com Taoístas".

Com seu reconhecimento e apoio Qiu Chuji estimulou a construção de diversos templos taoístas em toda a China, conquistando seguidores em todo o país.
O retorno a Pequim

Retorna para seu lar seguindo aproximadamente a mesma rota da viagem de ida, com pequenos desvios, como uma visita a Kuku-khoto.



Retornou a Pequim no final de Janeiro de 1224. Por ordem de Genghis Khan parte do terreno do antigo jardim imperial foi a ele cedido para a fundação de um mosteiro taoísta.

Após seu retorno Chang Chun viveu em Pequim no templo taoísta actualmente conhecido como Templo das Nuvens Brancas (Bai Yun Guan) até sua morte em 23 de Julho de 1227, sendo enterrado no local. Desde então, o templo é a sede do Daoísmo Quanzhen e da linhagem da Porta do Dragão.
O Registo da Jornada para o Oeste

Li Chi Chang, discípulo e companheiro de Qiu Changchun, registou sua viagem ao encontro de Gengis Khan no livro "Jornada para o Oeste do Ser Verdadeiro Eterna Primavera" (长春真人西游记) (em pinyin: Changchun Zhenren Hsi Yu Ki).

Neste registo encontramos algumas das imagens mais vivas e fiéis da natureza e dos habitantes das regiões entre a Grande Muralha da China e Kabul, e entre o Mar de Aral e o Mar Amarelo.

De particular interesse são os esboços dos Mongóis; do povo de Samarcanda e arredores; o registo dos produtos e da fertilidade desta região e do vale Ili; a descrição de diversas cadeias de montanhosas, picos e desfiladeiros, como os Altai e o Tian Shan.

Cenários em miniatura com pequenas estátuas representando os diversos momentos de sua viagem estão expostos no Templo das Nuvens Brancas.



Nota: A autoria do livro Jornada para o Oeste (西游记) ("Xi You Ji") é por vezes equivocada-mente atribuída a Chang Chun pela semelhança do título da tradução ocidental deste livro com o título da tradução ocidental do registo da viagem de Chang Chun. O "Xi You Ji" foi escrito por Wu Cheng'en, trata das famosas aventuras do rei-macaco.

Obras de Qiu Chuji

* "Nutrindo a Vida" (Shesheng Xiaoxi Lun)
* "Indicações sobre o Grande Elixir" (Dadan Zihi)
* "Ensaios do córrego Pan" (蟠溪集) (Panxi Ji)
* "Registros de Auspiciosos Encoontros com Taoístas" (Xuanfeng Qinghui Lu)
* "Ensaios Advogando o Tao" (Mingdao Ji)

Bu er

Nasceu em Ninghai (conhecida atualmente como Muping), em Shandong durante a dinastia Jin. Seu nome de família era Sun e seu nome pessoal Fuchun, Buer é o nome taoísta que adotou.

Sun Buer viveu na província de Shandong, na China. Era uma mulher bela, inteligente, rica, casada, com três filhos.

Seu marido Ma Yu foi também um dos discípulos do taoísta Wang Chongyang, que os visitou em sua residência.
Aos 51 anos ela também se tornou uma discípula de Wang Chongyang, decidiu estudar seriamente o Tao, chegando a renunciar ao convívio com sua família para viver no "Templo da Lótus de Ouro" (jinlian tang).

O Mestre Wang Chongyang dissera a Sun Buer que se um de seus discípulos tivesse a determinação para viajar mil milhas até Luoyang (洛阳), encontraria um imortal que poderia lhe ensinar os mistérios mais profundos do universo. Ela resolveu despedir-se de sua vida confortável e seguir este caminho, mas o Mestre Wang a advertiu que sua beleza a tornaria alvo da cobiça de malfeitores, proibindo-a de realizar esta jornada.

Determinada a se aprofundar em seus estudos do Tao, Sun Buer retornou à sua casa e com óleo fervente queimou seu rosto de modo a não atrair mais a atenção de nenhum criminoso. Wang espantou-se e comoveu-se com a sua atitude, convencendo-se de sua determinação e sinceridade. Prevendo que ela seria a discípula que viajaria a Luoyang, lhe transmitiu os segredos da alquimia interna taoísta.

Sun Buer deixou seu lar e sua amada família disfarçando-se com roupas estranhas, cabelos desgrenhados e simulando insanidade. Assim conseguiu alcançar a cidade de Luoyang, onde após doze anos de prática na "Gruta da Imortal Senhora Fênix" (fengxiangu dong) realizou-se no Tao, sendo considerada desde então uma imortal.

Teve muitos discípulos, fundou a linhagem taoísta da "Pureza e tranquilidade", e também é autora de diversas poesias Taoístas.

Em seus textos Sun Buer desenvolveu os conceitos do Mestre Wang Chongyang sobre a Alquimia Interna Taoísta, explicitando as características específicas da prática feminina em catorze poemas que descrevem cada uma das etapas deste processo de transformação física e espiritual. O primeiro é serenar a mente.

No dia da passagem da Imortal Senhora Sun Buer em estado de meditação sentada, um vento perfumado e fresco soprou durante todo o dia.

No mesmo momento Ma Yu estava praticando o Dao em Ninghai, a viu voando pelos céus em nuvens coloridas e escutou sua despedida, ficou tão feliz com sua realização que começou a dançar.

Segundo a tradição, mesmo após sua ascensão ao Céu, Sun Buer não se esqueceu de seu marido e retornou por algum tempo a seu lar na Terra para ajuda-lo em seus estudos do Tao. Assim, seu marido também alcançou a perfeição, assumindo o nome Ma Danyang.

Sun Bu er - Viveu no período da dinastia Jin (1115 — 1234 d.c.), e escreveu os seguintes clássicos, Sun Buer yuanjun chuanshu dandoao mishu (O Livro Secreto sobre o Elixir Interior conforme a Transmissão da Imortal Sun Buer) e Sun Buer yuanjun fayu (Ditos exemplares da Patriarca Imortal Sun Buer).