sexta-feira, 2 de maio de 2014

Zhang daoling

Zhang daoling media mais de 2 metros, a sua testa era larga, as sobrancelhas grandes e o seu nariz era parecido com um bico de falcão. Na planta do seu pé direito tinha sete pontos pretos dispostos como a ursa maior. Os seus braços eram fortes e compridos, indo até aos joelhos. A sua passada era forte como a de um tigre e rápida como a de um dragão.

Momentos antes de Zhang daoling ter sido concebido, a sua mãe sonhou ter visto um gigante descer da estrela do norte. O Deus da estrela do norte veio até ela entregando-lhe uma flôr. Quando ela acordou, o quarto tinha uma forte fragrância no ar e ela percebeu então que estava grávida. Esta fragrância durou todo o tempo de gravidez, que durou 10 meses.
Um dia, Zhang daoling nasceu; nesse dia a casa ficou coberta por uma nuvem amarela, e o quarto da sua mãe, invadido por uma névoa púrpura. Quando Zhang daoling saiu do ventre da sua mãe, uma luz forte e brilhante como o sol e a lua, irradiou todo o quarto.

Zhang daoling era excepcionalmente inteligente. Aos 7 anos entendeu o Dao de jing, de Lao zi. Aos 12 anos antiguidades a mestria do Yi jing e dos clássicos da adivinhação. Ainda jovem,Zhang daoling serviu a comunidade como administrador da província, continuando sempre a estudar as artes do Dao.
Um dia, enquanto meditava na ermida, um tigre branco aproximou-se dele. O tigre trazia na sua boca um pergaminho com escrituras sagradas. Nesse momento, Zhang daoling entendeu que devia de abdicar dos seus cargos políticos e seguir apenas o Dao.
Recusou o cargo de administrador civil para se tornar um ermita a viver nas montanhas. Quando o Imperador ouviu falar da recusa de Zhang daoling, ofereceu-lhe o título de professor celestial  e implorou-lhe que voltasse a assumir cargos governativos. O Imperador convidou-o 3 vezes, tendo tido sempre um não como resposta.

Quando Zhang daoling percebeu que não o iam deixar em paz, decidiu partir para a região montanhosa de Sichuan. Nas montanhas, onde os cursos de água eram profundos e as cascatas caiam de precipícios, Zhang daoling encontrou uma caverna onde meditar para aprender as artes da imortalidade e atingir o Dao.
Zhang daoling ficou na caverna durante vários anos até que um dia ele ouviu o choro de uma garça branca. Nesse momento ele soube que não faltava muito para atingir a imortalidade. Um ano mais tarde, enquanto activava o fogo no caldeirão, para incubar o elixir do tigre e do dragão, uma seta de luz vermelha iluminou a caverna. Um ano passou, quando um tigre branco e um dragão verde entraram na caverna para proteger o elixir.
Finalmente, três anos após Zhang daoling ter ouvido o choro da garça branca, ele completou o elixir e atingiu a imortalidade.

Zhang daoling saiu da sua caverna e viajou pelo rios, vales e montanhas de Sichuan. Numa das suas jornadas encontrou-se com Lao zi, que o ensinou como voar até às estrelas e penetrar no interior da terra. Quando Lao zi partiu, entregou ao sei pupilo um pergaminho de talismãs com capacidade para curar os doentes, e uma espada que conseguia afastar os espíritos malévolos.

À medida que o tempo passava, A experiência de Zhang daoling nas artes mágicas amadureceram. Rapidamente conseguiu tornar-se invisível ou mudar a sua aparência, transformando-se no que quisesse. Ele conseguia ver e ouvir a grandes distâncias e tinha o poder de chamar a chuva e a neve. Conseguia curar os doentes e afastar os espíritos malévolos. A sua fama rapidamente se espalhou, e as pessoas passaram a chamá-lo de professor celestial, pois pensavam que era um imortal do reino celeste.
Quando os 6 senhores do mal souberam que Zhang daoling se preparava para os combater, eles convocaram um grande exército de fantasmas, vampiros, zombies e outras criaturas malévolas. Entretanto, o imortal também se preparava. Ele escolheu um monte verdejante nos arredores da cidade de Chengdu e construiu uma torre com um altar no centro. No altar, Zhang daoling colocou objectos de poder, como espelhos mágicos, sinos e talismãs.
À hora Zu (23 horas), Zhang daoling subiu à torre e invocou o vento, a chuva, e o trovão para derrotar o grande exército de espíritos malévolos. Desenhou também talismãs poderosos e convocou entidades celestiais para combater as forças do mal. 
Os senhores do mal enviaram lanças em fogo e setas na direcção do imortal, mas nenhuma nada lhe parecia atingir, ele acenou com a sua espada mágica e tudo ficou transformado em flores de lótus.
Os senhores do mal enviaram, então, fantasmas famintos para derrotar Zhang daoling, mas quando estes chegaram ao altar, o imortal desenhou um talismã e logo, todos os fantasmas se puseram de joelhos pedindo a sua compaixão. Após esta derrota, os senhores do mal enviaram um exército de vampiros e zombies na direção de Zhang daoling. Quando estes se aproximaram do altar, ele tocou os sinos, e os mortos vivos agarraram-se aos ouvidos e caíram no chão para nunca mais se levantarem.
Vendo o fracasso dos seus servos, os 6 senhores do mal decidiram atacar Zhang daoling, eles mesmos. O imortal pegou na dia espada e desenhou o selo do grande poder. A espada emitiu u feixe de luz quase transformou numa rede que caiu sobre os 6 senhores do mal. Está rede transformou-se numa jaula na qual, os 6 senhores do mal ficaram encarcerados. Quando Zhang daoling se dirigia na sua direcção, os senhores do mal imploraram misericórdia e perdão. Daoling disse-lhes; "vocês trouxeram doença e sofrimento a muita gente, e por isso têm de ser castigados. Mas porque a via celestial é compassiva, não vos irei matar. Vou no entanto. castigar-vos, mantendo-vos fechados nas profundezas da montanha. Desta forma, não voltaram a causar mais sofrimento.
Quando as pessoas viram que os 6 senhores do mal haviam sido capturados, rapidamente vieram ao encontro de Zhang daoling para o agradecer e pediram-lhe que lhes ensinasse as artes mágicas. Como não lhe queria negar o pedido, pediu à população que se organiza-se em grupos para poderem ajudar as pessoas mais necessitadas. Disse também a todos, que a forma mais eficaz de combater o mal, é praticar o bem. Se todos praticarem o bem, o mal nunca conseguirá triunfar.
Para os seus seguidores mais próximos,Zhang daoling transmitiu o poder dos talismãs e disse-lhes para que o usassem sempre para o em e nunca para o mal. 
Um dia ascendeu ao reino celeste e deixou, ao seu filho, a espada mágica e o selo do grande poder, tendo-lhe confiado a tarefa de ensinar todos os seguidores da via do professor celestial.

Zhang daoling - Viveu durante o final do período da dinastia Han (206 a.c - 219 d.c). Ele fundou a escola Daoista conhecida como Tian Shi Dao ( a via do professor celestial) e é reconhecido como o Pai do Daoismo religioso organizado.

sábado, 19 de abril de 2014

Momentos, O Dao não é alcançável, apenas perceptível...

Recentemente tive mais uma prova de que nada é adquirido, de que tudo aquilo que possa sentir e não sentir acontece apenas num instante, num pequeno momento. O presente quando pensado já é passado, quando previsto, não existe.

Como resultado das minhas práticas, várias são as alterações que tenho sentido, algumas transitórias e outras mais constantes mas não cristalizadas. Prova é, que recentemente uma situação me provou isso mesmo. Num  "desaguizado" fora do comum o meu espírito foi perturbado. Não pela pessoa descontrolada que me agredia verbalmente, mas sim pelo meu ego que se mostrou mais forte e que oprimiu o meu coração. Nesse momento a serenidade esfumou-se e claro está, a racionalidade também.

Esta situação fez-me meditar...

Na realidade há uma provação diária, diria mesmo a cada instante. O nosso espírito deve estar concentrado, livre de distrações. Devemos viver o Dao a todo o instante e não de vez em quando. Se isso for feito, nestes momentos saberemos não agir ou, pelo menos não reagir. Pois onde havia uma pessoa exaltada, passou a haver outra...
Se naquele momento estivesse  com a mente focada, essa agitação não se iria expandir e, quem sabe, poderia até mesmo se extinguir dependendo da sabedoria presente naquele instante.

Temos medo da morte mas na verdade morremos todos os dias. Isso é maravilhoso! Uma vez que o nascimento apenas se realiza após a morte.
Quero com isto dizer que todos os dias somos novos seres, diferentes, com novas perspectivas, sensações e pensamentos. Todos os dias nos podemos livrar de mágoas e depressões, angústias e exaltações. Todos os dias podemos ser que sonhamos...

É também por isso que nenhuma mudança é conquistada, apenas vivida!

Aquilo que vivemos hoje, não vivemos amanhã, aquilo que sentimos hoje poderemos não sentir amanhã... Resta-nos trabalhar arduamente o espírito para que este nos proporcione o melhor de todo o nosso potencial.

Hoje penso; concentra, foca e unifica. Esta é a única maneira de me manter no fluxo celeste...

Posição da língua nas práticas daoistas

Nas práticas meditativas, de Qi gong a posição da língua assume um papel importante em função dos objectivos pretendidos. A língua é, para os daoistas, um interruptor, que liga dois importantes meridianos curiosos chamdos usualmente de vaso governador (Du mai) e vaso da concepção (Ren mai). Estes dois meridianos que se situam na região sagital, um posterior (Du mai) e outro anterior (Ren mai), ligam-se através do contacto da língua com o palato superior.

Existem várias posições, segundo as práticas daoistas, que a língua pode assumir e mediante cada uma, há uma circulação energética distinta.

Muitos dos praticantes de Qi gong desconhecem a importância da língua na prática desta arte. É no entanto fundamental para a correcta circulação de Qi. O simples facto de não ter uma posição correcta da língua em determinados exercícios pode levar a enxaquecas, hipertensão e outras patologias. É por isso fundamental conhecer em profundidade a importância da língua nas artes daoistas.

Posição Fogo - É a posição mais comum em que a língua toca o palato superior, na região anterior do mesmo. Esta posição é utilizada na prática da meditação da órbita microcósmica (ou pequena circulação celeste), para promover a ascenção da energia Yang e a descida da energia Yin. Desta forma existe uma mistura destas duas energia, o que permite equilibrar o Yin e o Yang. Esta posição promove o aumento da energia e a activação cerebral.

Posição Água - Nesta posição a língua toca o palato superior na zona anterior (palato mole). Esta posição é utilizada quando se pretende nutrir o mar da medula e o Shen. Esta posição da língua favorece a subida de Yin Qi pelo meridiano Chong mai. Nesta posição a energia Yin e o sangue sobem até ao cérebro, nutrindo também o coração, entre outros orgãos. É uma forma importante de levar o praticante à quietude e à serenidade necessárias na prática do Daoismo.

Posição do Vento - A língua toca nos dentes. Esta posição promove a inversão do sentido da circulação energética, na órbita microcósmica. É utilizado para desacelerar a circulação, aumentando a energia Yin em relação à Yang. Esta posição é utilizada quando é pretendido diminuir o Fogo (agitação, insónia, ansiedade...).

Posição Madeira - Língua no palato superior, região média

Posição de neutra -  A posição neutra é quando a língua não toca o palato superior. Esta posição é utilizada na prática de Wuji. Quando se pratica Wuji, Yin e Yang não são contemplados. Wuji é o estado anterior à existência de Yin e Yang e por isso a língua não assume qualquer posição, assim como a mente e o corpo...

É fundamental que o praticante seja acompanhado por um professor/mestre pois APENAS poderá acompanhar o crescimento do praticante. Toda e qualquer prática alquimica tem um propósito específico e feito de forma incorreta poderá levar a um desequilíbrio interno provocando doença. É importante ter a noção de que a prática alquímica é muito poderosa e por isso poderá ser destrutiva se não for praticada corretamente...

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Taiho, Templo de Fuxi

Também na província de Henan, a cerca de 1h de Luyi, O templo de Taiho, conserva o túmulo de Fuxi, e um templo gigante em sua homenagem.
De uma simetria extraordinária, com a representação de todos os símbolos Taoistas, este templo é magnifico no que toca à sua beleza arquitetónica, aos seus jardins e também à sua grandiosidade.


Com várias dezenas de árvores milenares (visíveis na fotografia), sentimos neste templo que caminhamos na história deste país. Fuxi foi grande pai da civilização "contemporânea" da China.

Fuxi

Foi Fuxi quem que descobriu o Bagua, os 8 (ba) trigramas que dão origem aos hexagramas do Yi jing (livro das mutações). É a partir daqui que se começa a ter um melhor entendimento do macrocósmos, e já com o Yi jing, que se dão grandes pulos ao nível da agricultura.

Túmulo de Fuxi
fotografia onde se observa, em segundo plano, o túmulo de Fuxi

Wu wei, a não acção

Wu wei é um dos maiores príncipios da filosofia Daoista. Aplicar Wu wei significa viver de acordo com o Dao, é por isso um princípio fundamental mas por outro lado, muito abrangente.

Muitos não entendem este príncipio, considerando que não acção é o mesmo que apatia ou sedentarismo. Nada disso!!!

Quem conhece praticantes e mestres Daoistas, pode concluir que isto não acontece.

Gosto de traduzir Wu wei de uma forma diferente, como não interação.

Wu wei, entre muitas outras interpretações que se possam ter, remete-nos para uma vida sem ego. Sem ego, sem desejos e sem ambições.

Pois em Wu wei devemos viver de acordo com os ritmos naturais e não em função dos desejos e ambições pessoais e/ou sociais. Para vivermos em permanente Wu wei, precisamos conhecermo-nos bem assim como o meio que nos envolve, para deixemos de agredir o pulsar natural da energia (dos acontecimentos).

Já imaginaram como seria se a água que corre pelo rio até ao mar decidisse, um dia, mudar a sua direcção?

Já imaginaram se um leão decidisse matar todas as gazelas do grupo só para criar uma reserva alimentícia e para que pudesse então repousar sem nunca perder alimento?

Estes exemplos podem ser patetas, mas são-no porque na realidade ninguém os concebe como realizáveis, e ainda bem!

Mas o Homem não vive de acordo com a sua natureza. Ele agride diariamente os ritmos naturais, às vezes por necessidade outras apenas por capricho. O Homem é capaz de matar apenas para não se sentir incomodado (como acontece quando uma àrvore está no caminho; ou uma serpente que tanta impressão nos faz, está no nosso jardim...). O Homem é o único ser vivo (a esmagadora maioria) que vive isolado das leis naturais, pensando que está acima delas.

Wu wei é conviver com a natureza de forma saudável, seguir os seus ritmos e tirar o proveito natural dos mesmos.

Carl Jung

Nascido em 1875, Carl Jung nascido na Suíça tornou-se psiquiatra, tendo criado o método da psicologia analítica.

 Enquanto psiquiatra e psicoterapêuta Carl Jung estudou muitos temas, entre eles, o da espiritualidade.

Carl Jung acreditava que todo o ser humano tinha um propósito espiritual para além da vida terrena e material. Ele estudou diversas religiões entre elas; o cristianismo, budismo, hinduismo e o daoismo.

Carl Jung teve um papel importante no conhecimento do daoismo no ocidente. Juntamente com Richard Wilhelm, esteve na revelação ao ocidente, de um importante clássico alquímico daoista, O segredo da flôr de ouro.
Este clássico daoista é a grande referência da escola Quan Zhen de Wang Chongyang.
É um clássico importante que embora daoista contém já outras duas religiões, o confucionismo e o budismo.

Juntamente com R. Wilhelm, Carl Jung disponibilizou ao ocidente um importante clássico.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Viver sem competir (parte II)

Continuando no conceito Wu zheng (não competição), e depois de deixarmos de rivalizar com o mundo que nos rodeia partimos para outra aventura, a do mundo misterioso que habita no nosso interior.

O Daoista é frequentemente visto como uma pessoa que vive à margem da sociedade e que não se integra nela. Na realidade o Daoista vive focado em si mesmo, ele procura no intimo do seu ser, conhecer, sentir e obter consciencia da sua plenitude. Por isso ele não perde tempo a analisar os outros, nem em tarefas improdutivas, nem se desgasta no trabalho para poder adquirir bens efémeros.

Uma das buscas internas é a de encontrar comportamentos, pensamentos e sensações relacionadas com Wu Zheng. O trabalho interno dura muitas vezes, uma vida inteira pois se a nossa consciência é grande, muito maior é a nossa inconsciência (região desconhecida e que influencia todo o nosso padrão psico-físico).
Um erro comum, com o qual tenho deparado e que também tenho observado em outros, é o de crer que as transformações se conquistam. Se há algo que podemos aprender no Daoismo, é que nada permanece imóvel, assim nos explica o símbolo do Tai chi. Tudo é dinâmico, se nascemos temos forçosamente de morrer, se somos saudáveis termos obrigatóriamente de adoecer em qualquer momento, etc.

 Por exemplo, é normal em qualquer praticante de Qi Gong, Tai Chi e/ou meditação, adquira tolerância. É uma das muitas transformações possíveis com estas práticas. Se alguém pensar que depois de obter este estado de espírito nada mais precisa de fazer para se manter assim, terá uma grande desilusão. O Qi Gong, Tai Chi e/meditação permitem equilibrar o corpo energéticamente potenciando todos os mecanismos naturais de desintoxicação e metabolização (física, emocional e mental), levando naturalmente a um estado de consciência que nos permite ser tolerantes. Se deixarmos de ter este tipo de práticas (ou outras possíveis), o nosso corpo tenderá a adquirir outra condição energética. Muito possívelmente voltaremos a sofrer de picos emocionais tais como, ira, cíume, impaciência, ansiedade... 

Ao conhecer esta realidade, o Daoista vive atento a si mesmo, mantendo-se sempre em equilíbrio com o Universo. Desconhecer este príncipio é um grave erro que irá impossibilitar qualquer um de atingir o Dao.

Explicado isto, partirei para aquilo que considero ser o Wu zheng interno (como já tive oportunidade de escrever na primeira parte, esta designação é minha e não corresponde a nenhum conceito Daoista que tenha até à data encontrado).

É comum, quer seja por educação ou influência externa, nos querermos sentir úteis, competentes, capazes e melhores (muitas vezes que nós próprios). 
Será que quando pretendemos atingir um resultado, quando queremos ajudar alguém, não estaremos a competir com as nossas capacidades, a nossa natureza? vou explorar estes dois exemplos;

  1. Imaginemos que sou desportista. Sou competente e pratico de forma disciplinada e aplicada diariamente. Em algum momento decido que tenho de atingir uma marca, vamos dizer um recorde pessoal. Tenho conseguido de forma progressiva e esforçada evoluir, mas decidi que tenho de atingir uma marca exigente para me ultrapassar e continuar a sentir motivado. Este é um exemplo em que estou a competir entre aquilo que sou e o que quero vir a ser.
  2. o segundo exemplo é mais traiçoeiro de explorar, darei o meu melhor. Alguns de nós sente necessidade de ajudar os outros, mesmo quando estes não pedem para ser ajudados. E será que o fazemos pelo outro ou por nós? será pelo bem do outro, ou será que ao "ajudarmos" não nos estaremos a sentir melhor connosco mesmo? Estamos, muitas vezes, a medir forças com o nosso ego, a competir com ele. Estamos a provar a nós mesmos que somos melhor do que aquilo que dizem de nós ou até mesmo do que nós pensamos ser.
Antes de continuar quero pegar no segundo exemplo, o da ajuda, para esclarecer uma coisa. Na Daoismo não se cultiva o individualismo, muito menos o egoismo. Neste sentido há compaixão, o dever de ajudar quando a ocasião se manifesta.
Considera-se uma grande diferença em ajudar porque se quer e ajudar porque é necessário. Uma forma mais simples de entender esta diferença é entre alguém que ajuda que lhe é pedido, ou se por outro lado ajuda quando acha que deve ajudar. No primeiro caso estamos a responder apenas a um pedido, no segundo estamos a intervir na vida de alguém pensando que o estamos a ajudar (o que pode acontecer ou não). Este tema podia ser explorado mais exaustivamente, mas não é o propósito desta publicação. Vou apenas referir que aqui se pode aplicar também o princípio da não acção (wu wei).

Estes exempos referidos servem para nos trazer à consciência das possíbilidades existentes da manifestação de wu zheng, nos nossos pensamentos ( que se podem ou não refletir em acções). 

Quando meditamos em Wu zheng, primeiro deixamos de competir com os outros, e mais tarde connosco. Primeiro eliminamos os comportamentos, mais tarde transformamos os nossos pensamentos e sentimentos. É fácil controlarmos aquilo que fazemos, é mais difícil seleccionarmos o que pensamos... No Daoismo acreditamos que com uma prática meditativa contínua, podemos limpar a nossa mente por forma a termos um pensamento mais claro e focado, menos disperso e anárquico.