Ao longo destes últimos 13 anos, tenho promovido uma transformação interna progressiva. Tenho passado por diversas alterações, desde físicas como mentais.
Quando olho para trás vejo alguém completamente diferente. Diferente nos aspectos físicos aparentes, como não poderia deixar de ser, mas surpreendentemente melhor no que diz respeito a muitos aspectos físicos efectivos. Refiro o aspecto físico pois este não pode ser desvalorizado. É fundamental preservarmos o corpo físico se quisermos ter uma caminhada mais tranquila e capaz. Caso contrário o caminho que buscamos torna-se mais difícil e, quem sabe, até mesmo impossível.
Mas as transformações que mais consigo observar são as mentais. É certo que em 13 anos a maturidade desempenha um grande papel no que somos hoje, e é certo que a maturidade que adquiri naturalmente me transformou. Mas as transformações mentais que sofri foram, em alguns casos, de 360º. É impressionante como é possível isto acontecer, como uma pessoa e capaz de se transformar assim tanto. Se me perguntassem há 13 anos se me imaginava como sou hoje diria claramente que não, que seria impossível.
Com isto não estou a fazer qualquer juízo de valor em relação à minha pessoa, quero apenas partilhar o que penso e provar, se é que sou capaz disso, que qualquer um pode mudar, melhorando ou piorando, em função daquilo que pretende e do que procura.
Sinto que ao entrar em contacto com a filosofia Daoista, a Medicina Chinesa e, mais tarde, a Religião Daoista, a minha mente abriu, a minha consciência expandiu e com isso muita coisa mudou. Desde logo alguma serenidade que não habitava em mim, mas também a capacidade de saber esperar, de tolerar, de ouvir, de abdicar dos louros, de ser capaz de conviver com o erro dos outros e sobretudo o meu, etc. Sou uma pessoa muito diferente hoje e, em meu entender, melhor. Sinto-me muito melhor enquanto ser humano, mais capaz. E isso deve-se sobretudo aos ensinamentos Daoistas, seja através da filosofia, cultura ou religião...
Mas o que me trás aqui hoje é algo de diferente... Há alguns meses que trago esta reflexão a vagear entre o consciente e o subconsciente, a nossa natureza. Serão estas transformações, verdadeiras transformações? Será que estas mudanças que ocorrem no nosso ser são permanentes?
Muitas são as perguntas que me coloco. Ao longo destes anos de trabalho interno tenho verificado em mim diversas situações. Apesar de ter tido um percurso mais ou menos estável e coerente, tive avanços e recuos... Quero com isto dizer que assumi algumas transformações que duraram meses ou alguns anos, mas que mais tarde deixaram de existir! regressei (em aspectos particulares) à minha natureza... Hoje, sinto que internamente algumas características antigas (naturais em mim) recomeçam a acordar e isso leva-me a pensar se é realmente possível mudar definitivamente.
ATENÇÃO - Não quero dizer não vale a pena, mesmo concluindo que as mudanças não ocorrem de forma definitiva, pois acho que tudo o que achamos ser para melhor vale sempre a pena!!!
O que quero tentar entender, e por isso estou também a partilhar, é entender se realmente a nossa natureza é intocável ou não. Se apesar de nos podermos moldar e aparentemente transformar, se ela permanece sempre em nós, mesmo que em standby.
A mim, após estes meros 13 anos, está a parecer-me que sim. Há mudanças comportamentais ao nível do trabalho interno que se enraizaram e que obrigam o meu ser a caminhar no sentido espiritual, e nesse sentido é difícil a minha natureza manifestar-se a 100%. Mas sinto que se perder um pouco de disciplina de trabalho, se abandonar alguns hábitos e rotinas, a minha natureza volta a tomar conta de mim...
Isto parece ser um jogo de duas personalidades, uma que sempre existiu e outra que estamos a construir à nossa medida. A primeira não é forçosamente má, mas não é aquela que queremos para nós. Já a segunda é aquela com a qual nos identificamos e que por isso promovemos.
Ou também uma batalha saudável entre o espírito (que em todos nós se manifesta e que tende sempre para o Uno) e o físico (no qual o Ego se manifesta).
Em suma, creio ter que trabalhar eternamente determinados aspectos para manter um determinado estado. Terei mesmo de intensificar alguns comportamentos para que possa crescer enquanto ser espiritual.
Entendo mais agora os velhos mestres que assumem uma vida rígida no que a eles diz respeito, pois só assim é possível caminhar para uma verdadeira evolução. A "carne" tende para o sedentarismo, satisfação e anarquia. Se nos deixarmos guiar por ela a vida torna-se, a longo prazo, um desnorte. Por isso também, há já alguns anos a esta parte, decidi escolher o caminho espiritual. Por acreditar que é na unificação que se encontra o verdadeiro bem-estar e a quietude para se ser feliz e sentir realizado
Este blog propõe falar sobre Daoismo religioso e filosófico, ajudando a todos no caminho do Dao
sexta-feira, 11 de setembro de 2015
quinta-feira, 16 de julho de 2015
Transformação
Todos nós mudamos de algum modo. A partir do momento em que entramos neste mundo, saindo do outro, a mudança é a regra.
Nada, jamais ficará como anteriormente. Muitos dos nossos problemas prendem-se com isso, pela ilusão que temos de voltar a algo... A nossa memória visual, emocional, etc engana-nos e leva-nos a pensar que o que já experienciamos de bom pode voltar a acontecer... ILUSÃO
As experiências que vivemos são únicas, regra básica para a transformação, podemos viver experiências semelhantes, mas nunca iguais.
Dito isto, parto para o tema que "decidi" explorar, a transformação é agora de permanente. Neste preciso momento em que escrevo, deixo de ser quem sou a todo o instante para passar a ser alguém que não conheço na integra... Regra da mudança, a novidade.
É também a novidade, o desconhecido que leva muitos de nós a ter medo do que "aí vem" e por isso escolhem, pensam alguns" ficar iguais...
Ora se a transformação é algo que não poderemos, nunca, contrariar, devemo-nos aliar a ela para ganharmos algo de bom com isso. Na realidade a transformação é também, em certa medida, um reinício, uma nova oportunidade para fazermos o que ainda não foi feito.
Considero que existem pelo menos três tipos de transformação:
Reconhecer a transformação não nos ajuda a fazer nada, não resolve problema algum, mas permite saber que toda e qualquer atitude nossa tem uma consequência bem vincada, seja em nós ou no que nos é exterior...
Nada, jamais ficará como anteriormente. Muitos dos nossos problemas prendem-se com isso, pela ilusão que temos de voltar a algo... A nossa memória visual, emocional, etc engana-nos e leva-nos a pensar que o que já experienciamos de bom pode voltar a acontecer... ILUSÃO
As experiências que vivemos são únicas, regra básica para a transformação, podemos viver experiências semelhantes, mas nunca iguais.
Dito isto, parto para o tema que "decidi" explorar, a transformação é agora de permanente. Neste preciso momento em que escrevo, deixo de ser quem sou a todo o instante para passar a ser alguém que não conheço na integra... Regra da mudança, a novidade.
É também a novidade, o desconhecido que leva muitos de nós a ter medo do que "aí vem" e por isso escolhem, pensam alguns" ficar iguais...
Ora se a transformação é algo que não poderemos, nunca, contrariar, devemo-nos aliar a ela para ganharmos algo de bom com isso. Na realidade a transformação é também, em certa medida, um reinício, uma nova oportunidade para fazermos o que ainda não foi feito.
Considero que existem pelo menos três tipos de transformação:
- Transformação insconsciente - Todos aqueles que não se apercebem deste acontecimento universal, vivem mudando todos os dias. Não têm qualquer papel activo na sua transformação e por isso não assumem nenhum caminho particular. Estão entregues à sorte...
- Transformação consciente - Aquele que entende este fenómeno, tenta utilizá-lo a favor. Aproveita todo o instante para se transformar no sentido que pretende. Assume um caminho declarado, seja ele qual for.
- Transformação negligente - As pessoas que reconhecem o fenómeno mas abdicam de o usar. Ou por achar que a repetição deste mecanismo os poderá proporcionar o "retorno à carruagem" a qualquer momento, ou o simples facto de não terem disciplina, faz com que levem a vida de forma boémia, não levando em conta todas as oportunidades que têm para se sublimar e transcender.
Reconhecer a transformação não nos ajuda a fazer nada, não resolve problema algum, mas permite saber que toda e qualquer atitude nossa tem uma consequência bem vincada, seja em nós ou no que nos é exterior...
terça-feira, 30 de junho de 2015
Disrupção, integração e transcendentalidade
Esta trindade surgiu-me após a leitura de um artigo sobre a
dieta hominívora e a espiritualidade. Em resumo esse artigo defende que a dieta
vegetariana ou vegan não são premissas obrigatórias para um caminho espiritual,
mas sim a dieta sustentável.
Ao refletir sobre este assunto, conclui que para percorrer o
caminho espiritual, devemos analisar profundamente todos os passos e tomar
decisões que nunca comprometam o nosso caminho autoproposto.
Salto o tema da dieta, pois esta não tem grande valor no
plano espiritual, quando analisada individualmente. Nesta visão apenas se pode
considerar importante (muito importante) à luz da saúde (que também joga um
papel relevante na aptidão espiritual).
No entanto, para nos considerarmos verdadeiros aventureiros
neste percurso espiritual, não podemos deixar de considerar todos os aspectos
que rodeiam a vida. Pois todos eles intervêm no nosso percurso, seja de forma
directa seja indirecta.
O caminho espiritual entende-se
pela valorização do espírito e pela fé de que ele é a condição essencial para a
imortalidade ou vida eterna. Há quem despreze o corpo em função do espírito e
quem se aproveite do corpo para desenvolver o espírito. Desde pequeno que fui
adepto dos ditos “meio termo”, “nem 8 nem
80”, pois acho que “no meio está a
virtude”, sempre me “recentrei” nas reflexões e debates com receio de me
perder na irracionalidade ou fanatismo.
Partindo agora para o que
interessa, começo por explorar o termo Integração, partindo depois para a
Disrupção, e mais tarde para a Transcendentalidade.
·
Integração – Quando nascemos, nascemos
integrados no mundo que nos acolhe. Existe (cada vez menos) uma
sustentabilidade que nos permite sobreviver. Os nossos pais têm alimento, por
isso a nossa mãe nos alimenta. Eles conseguem proteger-nos dos agentes
externos, e nós crescemos “saudavelmente”. Mais tarde, em adultos, temos todas
as condições para continuar a sobreviver e sobretudo a nos desenvolver. Mas
aqui a responsabilidade é maior, por já sermos donos de nós mesmos, podemos
decidir a forma como vivemos e interagimos com o exterior. Podemos viver de
forma integrada, recebendo e contribuindo na mesma medida, ou então de forma
disruptiva ou transcendental em relação ao ambiente que nos rodeia.
·
Disrupção – Actualmente o ser Humano vive de
acordo com as suas vontades e desejos, alheio às consequências externas. Se
hoje quizer almoçar 500gr de arroz com 500gr de carne e mais uma grande salada,
concluindo com um extraordinário gelado, todos ficam contentes “ah, ele come
tão bem…”; se quiser cortar 3 ou 4 árvores para fazer uma piscina, tenho todo o
direito; se tiver muito dinheiro porque não ter uma grande casa e vários carros
para passear; e a roupa? Devo ter muita roupa para as pessoas não me verem sempre
da mesma maneira e eu poder andar sempre actual e bonito. Tudo isto é normal e
até mesmo aconselhável à vista da sociedade moderna.
Consideramos
normal, mas não é sustentável, estamos a agredir o meio ambiente que nos
rodeia, extenuando os solos para produzir mais alimento e retirando matéria
prima para que possamos ter tudo o que queremos; agredimos o ar, a água e o
próprio solo com substâncias altamente poluentes que vão acabar por nos afectar
também de forma directa e indirecta. Estamos neste momento a matar o planeta, e
como tal, a nós também. Estamos em plena fase disruptiva, um corte absoluto com
o que nos rodeia.
·
Transcendentalidade – Nascendo integrados e
preparados para vivermos de forma integrada com a natureza, assim que nos
tornamos autónomos, podemos escolher deixar de ter um papel interventivo no
ambiente que nos rodeia. Quero com isto dizer, não participar activamente nele,
seja destruindo-o ou alimentando-o. Este é um tema complexo e polémico e
possivelmente utópico.
A partir do
momento em que existimos intervimos!
Mas tentando
descolar-me desta afirmação, creio que o ser humano pode, disciplinando o seu ego, levar uma vida profundamente
espiritual. E com isto pretendo dizer que o ser humano pode viver no plano
material caminhando para o plano espiritual (imaterial e eterno) alterando
aqueles que são considerados os hábitos e necessidades naturais do mesmo. Sem
fanatismos nem obcessões, podemos de forma progressiva, abdicar nos nossos
desejos e objectivos mundanos (que nos tendem à competição – agressão) e
concentrarmo-nos na contemplação e na meditação. Se a balança do nosso corpo
estiver a pender para o lado espiritual, o lado físico ainda existe (há ainda
interferência no plano material), mas este já não agride. E à medida que o espírito
se desenvolve, as necessidades/intervenções materiais serão menores, até… à
transcendentalidade.
Aplicabilidade
prática – Se praticamos o caminho espiritual, as suas aplicações não se baseiam
em ajudar os pobres, não matar, não roubar, rezar, etc…
o
Comer apenas o necessário (animal ou vegetal) –
Pois isto e realmente importante, principalmente se a escolha alimentar nos for
proveitosa. Desta forma não estamos a exigir ao ambiente mais do que
necessitamos, apenas o essencial.
o
Viver nas condições suficientes – A busca do
conforto leva-nos a situações demasiado excêntricas. Casas maiores do que
realmente necessitamos (muitas vezes com divisões que nem sequer são
utilizadas), um carro por pessoa (às vezes mais), mais um mota, uma piscina
(mesmo vivendo perto do mar o de uma praia fluvial), uma casa de férias, etc.
Esta forma de vida destrói território, leva à exaustão dos solos e à destruição
do mundo vivo…
terça-feira, 17 de março de 2015
Reflexão sobre o Tai Ji (太极) PARTE I
O Tai Ji é dos conceitos chineses mais conhecidos no Ocidente. Embora nem sempre bem compreendido em profundidade, o Tai Ji é tipo pela maioria como o símbolo da dualidade.
Este símbolo remonta ao 3 século a.c., da Escola do Yin e do Yang. Este período da História chinesa, foi muito fértil no desenvolvimento científico e intelectual.
Para poder refletir sobre este conceito ou ideia é necessário também explorar os seus caracteres
太 Tai é constítuido por dois elementos; 大 (da) mais um ponto.
No geral este caracter simboliza o maior, mais profundo, o extremo, nada há de mais importante
极 Ji é constítuido por dois caracteres;
O que haverá de tão importante na relação Yin e Yang, para que juntos possam originar algo de extremo, mais importante...
Este símbolo remonta ao 3 século a.c., da Escola do Yin e do Yang. Este período da História chinesa, foi muito fértil no desenvolvimento científico e intelectual.
Para poder refletir sobre este conceito ou ideia é necessário também explorar os seus caracteres
太 Tai é constítuido por dois elementos; 大 (da) mais um ponto.
No geral este caracter simboliza o maior, mais profundo, o extremo, nada há de mais importante
极 Ji é constítuido por dois caracteres;
- 木 (mu) - madeira, árvore
- 及 (ji) - alcançar, a tempo de
Ji carrega o significado de; final, eixo, extremo, o mais...
Tai Ji, antes demais e através do significado de cada caracter, dá por isso a ideia de algo muito importante, algo inalcansável, extremo, limite...
O que haverá de tão importante na relação Yin e Yang, para que juntos possam originar algo de extremo, mais importante...
quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
A integração com a Natureza provém apenas no silêncio, na quietude do espírito
A integração com a Natureza provém apenas no silêncio, na quietude do espírito.
A Natureza existe, é uma realidade.
A interdependência permanece, haja ou não consciência disso. Os ciclos ocorrem sem cessar, beneficiando ou prejudicando o ser que segue o curso de um rio sem saber nadar...
No entanto, para quele que escuta, que vê e para aquele que sente, esses ciclos não são bons ou maus uma vez que que ele se adapta às mudanças, permanecendo equilibrado com o meio que o envolve.
O ser que se submerge em pensamentos e preocupações afoga-se. Não consegue prestar atenção ao que o rodeia, não vê a rocha que rompe o rio e à qual se pode agarrar. Os pensamentos ofuscam a visão, a preocupação dispersa a atenção.
Quando o ser se perde nos pensamentos e preocupações, fica preso a um mundo imaginário que não possui respostas aos desafios propostos pela realidade que este enfrenta. O que sai de si (o externo) é-lhe estranho e apenas perceptível quando um espinho se cruza no seu caminho ele se apercebe que há algo mais que o afecta., no entanto não sabe o que é...
A àgua leva-o, ele não sabe para onde nem como chegará, seja onde for. Está tão preocupado pelo facto de estar a ser levado pela corrente do rio, que nem sequer vê a saída de fronte dos seus olhos.
O Homem sereno cala a mente e sossega o espírito, ouve o vento e o canto dos pássaros. Sente a brisa e observa as variações de luz ao longo do dia. O Homem sereno trava o tempo despertando a sua atenção, observa sem reflectir (intui). Aqui ele sente apenas os efeitos que o exterior lhe proporciona, tomando consciência no fogo que se dissipa e na àgua que se move a sul.
O seu corpo respira a vitalidade natural e dá à terra o fermento que esta necessita para gerar vida. Ele participa, de forma íntegra, ele é Natureza.
A Natureza existe, é uma realidade.
A interdependência permanece, haja ou não consciência disso. Os ciclos ocorrem sem cessar, beneficiando ou prejudicando o ser que segue o curso de um rio sem saber nadar...
No entanto, para quele que escuta, que vê e para aquele que sente, esses ciclos não são bons ou maus uma vez que que ele se adapta às mudanças, permanecendo equilibrado com o meio que o envolve.
O ser que se submerge em pensamentos e preocupações afoga-se. Não consegue prestar atenção ao que o rodeia, não vê a rocha que rompe o rio e à qual se pode agarrar. Os pensamentos ofuscam a visão, a preocupação dispersa a atenção.
Quando o ser se perde nos pensamentos e preocupações, fica preso a um mundo imaginário que não possui respostas aos desafios propostos pela realidade que este enfrenta. O que sai de si (o externo) é-lhe estranho e apenas perceptível quando um espinho se cruza no seu caminho ele se apercebe que há algo mais que o afecta., no entanto não sabe o que é...
A àgua leva-o, ele não sabe para onde nem como chegará, seja onde for. Está tão preocupado pelo facto de estar a ser levado pela corrente do rio, que nem sequer vê a saída de fronte dos seus olhos.
O Homem sereno cala a mente e sossega o espírito, ouve o vento e o canto dos pássaros. Sente a brisa e observa as variações de luz ao longo do dia. O Homem sereno trava o tempo despertando a sua atenção, observa sem reflectir (intui). Aqui ele sente apenas os efeitos que o exterior lhe proporciona, tomando consciência no fogo que se dissipa e na àgua que se move a sul.
O seu corpo respira a vitalidade natural e dá à terra o fermento que esta necessita para gerar vida. Ele participa, de forma íntegra, ele é Natureza.
O silêncio alcançou a integridade, a quietude levou-o à luz
"A integração na Natureza provém no silêncio da atenção, na quietude do espírito"
terça-feira, 21 de outubro de 2014
Respiração abdominal
A respiração abdominal é uma das práticas mais importantes no Daoismo.
A respiração é fundamental para a vida, pois é ela que garante a vida, através da oxigenação mas também da desintoxicação do organismo. O Pulmão capta o Oxigénio e a humidade do ar e elimina Dióxido de carbono e humidade, juntamente com outras substâncias toxicas do organismo.
Melhorar o rendimento respiratório, potencia todas estas funções do Pulmão.
Mas do ponto de vista Daoista, a respiração faz muito mais...
A respiração regula também a circulação de Qi no organismo. Controla os níveis de energia nos meridianos e a forma como esta se move.
Na Medicina tradicional Chinesa diz-se "o Qi move-se a mão travessa por cada movimento respiratório". Quer isto dizer que cada movimento respiratório impulsiona o Qi. É dito também que a inspiração faz afundar o Qi, e a expiração traz o Qi à superfície.
Com isto ficamos a saber:
Mas a respiração é muito mais do que isso!!!
Na Medicina Tradicional Chinesa diz também que "a mente conduz o Qi". Por outras palavras a concentração permite conduzir o Qi para locais pretendidos.
Por exemplo, quando temos uma dor muito forte, é natural que a nossa atenção (concentração) esteja no local da dor. É um mecanismo natural de autocura do organismo pois conduzindo o Qi para esse local a recuperação é mais rápida. Mas nem sempre a nossa mente nos ajuda, por vezes é a atenção permanente numa região do corpo ou numa preocupação que nos mantém desequilibrados (exemplo: quando estamos demasiado receosos, o receio não desaparece por si só, às vezes agrava-se).
Por isso, no Daoismo a respiração é consciente. A respiração é feita com a atenção da mente, para conduzir o Qi de forma propositada para as regiões que mais pretendemos.
No baixo ventre (Dan Tian), encontra-se a grande bateria bioelétrica do corpo. A região que armazena a energia Yuan-Jing (energia proveniente do céu anterior). É por essa razão que a prática respiratória mais comum é precisamente a respiração abdominal. Se por um lado conseguimos ter um maior aproveitamento do Pulmão com esta respiração, por outro estamos a estimular o Dan Tian, mobilizando esta energia fundamental para todo o corpo. Existem muitas outras razões para a prática desta respiração que não irei abordar nesta publicação.
Quando pomos a mente a trabalhar em conjunto com a respiração abdominal, ativamos esta energia e mobilizamo-la por todo o corpo a um ritmo controlado através do ritmo respiratório.
O corpo começa a receber maior quantidade de Yuan Qi e Jing Qi, o que tem como consequência um aumento da capacidade regeneradora do organismo, mas sobretudo um maior equilíbrio energético nos três diferentes níveis, Shen (energia espiritual), Qi (energia propriamente dita) e Jing (energia sexual). Progressivamente o praticante harmoniza estas três energias.
Os resultados práticos desta harmonização tendem a ser os seguintes:
A respiração abdominal é por isso essencial nas práticas Daoistas e embora o seja, é muitas das vezes ignorada. Deve portanto ser alvo de estudo intensivo, por ser uma técnica que produz efeitos importantes e contínuos no decorrer da nossa vida.
Sem uma respiração apropriada nunca conseguiremos atingir um estado de autodesenvolvimento muito elevado, por não conseguirmos mobilizar e equilibrar as energias vitais do nosso organismo.
A respiração é fundamental para a vida, pois é ela que garante a vida, através da oxigenação mas também da desintoxicação do organismo. O Pulmão capta o Oxigénio e a humidade do ar e elimina Dióxido de carbono e humidade, juntamente com outras substâncias toxicas do organismo.
Melhorar o rendimento respiratório, potencia todas estas funções do Pulmão.
Mas do ponto de vista Daoista, a respiração faz muito mais...
A respiração regula também a circulação de Qi no organismo. Controla os níveis de energia nos meridianos e a forma como esta se move.
Na Medicina tradicional Chinesa diz-se "o Qi move-se a mão travessa por cada movimento respiratório". Quer isto dizer que cada movimento respiratório impulsiona o Qi. É dito também que a inspiração faz afundar o Qi, e a expiração traz o Qi à superfície.
Com isto ficamos a saber:
- Inspiração e expiração promovem a circulação de Qi
- Inspiração traz o Qi para dentro
- Expiração leva o Qi para fora
- Inspiração e expiração em equilíbrio promovem uma circulação continua
- Inspiração e expiração em ritmos diferentes promovem uma circulação em ritmos diferentes
Mas a respiração é muito mais do que isso!!!
Na Medicina Tradicional Chinesa diz também que "a mente conduz o Qi". Por outras palavras a concentração permite conduzir o Qi para locais pretendidos.
Por exemplo, quando temos uma dor muito forte, é natural que a nossa atenção (concentração) esteja no local da dor. É um mecanismo natural de autocura do organismo pois conduzindo o Qi para esse local a recuperação é mais rápida. Mas nem sempre a nossa mente nos ajuda, por vezes é a atenção permanente numa região do corpo ou numa preocupação que nos mantém desequilibrados (exemplo: quando estamos demasiado receosos, o receio não desaparece por si só, às vezes agrava-se).
Por isso, no Daoismo a respiração é consciente. A respiração é feita com a atenção da mente, para conduzir o Qi de forma propositada para as regiões que mais pretendemos.
No baixo ventre (Dan Tian), encontra-se a grande bateria bioelétrica do corpo. A região que armazena a energia Yuan-Jing (energia proveniente do céu anterior). É por essa razão que a prática respiratória mais comum é precisamente a respiração abdominal. Se por um lado conseguimos ter um maior aproveitamento do Pulmão com esta respiração, por outro estamos a estimular o Dan Tian, mobilizando esta energia fundamental para todo o corpo. Existem muitas outras razões para a prática desta respiração que não irei abordar nesta publicação.
Quando pomos a mente a trabalhar em conjunto com a respiração abdominal, ativamos esta energia e mobilizamo-la por todo o corpo a um ritmo controlado através do ritmo respiratório.
Os resultados práticos desta harmonização tendem a ser os seguintes:
- Aumento da resistência física
- Diminuição da ansiedade
- Aumento da resistência ao stress
- Melhoria do sono
- Regulação do sistema cardiovascular e do aparelho digestivo
- Aumento dos níveis de concentração
- Melhor rendimento intelectual
- Aumento da criatividade
- Maior sensação de bem estar
- Maior felicidade
A respiração abdominal é por isso essencial nas práticas Daoistas e embora o seja, é muitas das vezes ignorada. Deve portanto ser alvo de estudo intensivo, por ser uma técnica que produz efeitos importantes e contínuos no decorrer da nossa vida.
Sem uma respiração apropriada nunca conseguiremos atingir um estado de autodesenvolvimento muito elevado, por não conseguirmos mobilizar e equilibrar as energias vitais do nosso organismo.
quarta-feira, 21 de maio de 2014
O instante...
No Daoismo, uma das práticas diárias é viver o presente, o momento, o instante!
Este é já um desafio enorme, ainda mais no mundo em que vivemos.
É importante permanecermos focados no presente por diversas razões, algumas mais fáceis de encontrar que outras...
Quando nos focamos no presente, estamos concentrados, centrados e por isso, atentos ao que se está a passar. Com isso tiramos um melhor aproveitamento da experiência que estamos a viver.
Ao fazê-lo a nossa mente não vagueia em pensamentos disformes, preocupações malignas ou deveres futuros. Nesse momento a mente está ocupada com a realidade, o instante.
Ao estarmos focados, a nossa mente não é assolada pelas nossas memórias e experiências qe formulam conceitos e preconceitos, que tendem a influenciar o nosso comportamento. Desta forma a experiência que vivemos torna-se, verdadeiramente única e irrepetível.
Se fizermos uma análise mais interna e energética, viver o presente provoca a concentração da energia do corpo, invertendo o seu sentido centrífugo para um sentido centrípeto. Desta forma a energia não se perde, mantém-se e armazena-se. Este acontecimento, provoca no nosso corpo muitas alterações sensoriais, mentais e espirituais. A concentração continua da energia, enche os reservatórios de energia, acabando por derramar para os. Seus canais, órgãos e tecidos. Com iso desenvolve-se a saúde e, muito importante, a consciência.
Viver o presente implica por isso, entender o conceito de realidade e ilusão segundo o Daoismo, é importante relativisar a importância apresentada pelos nossos sentidos e de acordar outras formas de percepção existentes no nosso corpo.
Os nossos sentidos projectam a energia para fora, pois através deles, a nossa tenção coloca-se fora do nosso corpo. Aí começa a ilusão, quando passamos a vivênciar no exterior ao invés de nos explorarmos a nós mesmos. Deixamos de nos sentir, de nos compreender e de nos conhecer.
Creio que no ocidente a maioria vive fora de casa, do seu corpo. Temos uma vida cheia de preocupações ( externas) e vivemos ansiosos em querer resolver as situações ( muitas delas inexistentes, futuras). É imperial revertermos o processo.
Mas como?
Como será possível, no mundo contemporâneo, viver unicamente o presente, sem ter em conta a pressão do trabalho, as obrigações financeiras e o bem-estar familiar?
Creio que no íntimo de cada um de nós, reside a resposta. Mas para isso precisamos percorrer o caminho centrípeto, de nos concentrarmos e procurarmos, até que todas as dúvidas se esclareçam.
Subscrever:
Mensagens (Atom)




